21/03/2019

Estudo do vento na implantação de empreendimentos eólicos

Saiba como o potencial eólico é estimado

“O essencial é invisível aos olhos”, destaca a obra clássica ‘Pequeno Príncipe’ do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Uma boa analogia quando falamos da importância do sopro dos ventos na produção de energia eólica, na preservação do meio ambiente e no desenvolvimento sustentável do planeta.

O Brasil tem condições climáticas, relevo e cobertura do solo favoráveis, além de ventos de alta velocidade, concentrados em uma ou poucas direções, com baixa turbulência e sem rajadas extremas, características ideais para geração de energia eólica. Com isso, estudos sobre potencial do vento são fundamentais para a implantação de empreendimentos eólicos.

O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro apresenta uma literatura vasta das regiões com maior predominância de ventos e, consequentemente, mais vantajosas à exploração comercial da energia eólica. São elas, Nordeste, Sudeste e Sul, locais onde a velocidade dos ventos está, em média, acima de sete metros por segundo (m/s). Mais de 71.000 km² do território nacional apresentam velocidade do vento superior a 7 m/s, entre 80 e 120m de altura,  um nível considerado de alta qualidade.

Diversas metodologias, ferramentas e softwares são utilizados para realizar estudos do vento. No entanto, é com a torre anemométrica, ou torre de medição, que companhias realizam estudos mais precisos e calculam o potencial eólico de determinada região. Com o equipamento instalado é possível executar medições de intensidade, direção e constância dos ventos. A partir dos dados obtidos é analisada a viabilidade para implementação do empreendimento eólico.

Para colher informações mais precisas, é necessário que a torre, dentre outros requisitos, realize medições durante 12 meses, esteja na mesma altura do aerogerador a ser implantado e tenha outros anemômetros em alturas distintas, conforme indica as normas internacionais estabelecidas pelos IEA (International Energy Agency), IEC (International Electrotechnical Comission) e MEASNET.

Energia promissora

A capacidade instalada de energia eólica global alcançou 539,58 gigawatts (GW), de acordo com levantamento de dados do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC/2018) de 2017. Já no Brasil, o setor encerrou 2018 com a marca de 14,71 GW de capacidade instalada. O vento pode ser invisível aos olhos, mas seus efeitos para a sustentabilidade são inegáveis.

São 583 usinas eólicas espalhadas por todo o território brasileiro e mais de 7.000 aerogeradores em operação em 12 estados. Com forte crescimento nos últimos anos, a energia gerada a partir dos ventos assumiu posição privilegiada, com representação de 9% na matriz energética, ficando atrás apenas da biomassa (9,1%) e a hidrelétrica (60,4%).