13/04/2018

Queremos investir mais e expandir nossos ativos

CEO da Echoenergia fala sobre desafios de gestão e perspectivas do mercado eólico

Edgard Corrochano tem uma visão clara sobre o que o mercado nacional de energia eólica pode esperar da Echoenergia. “Temos um plano de expansão para os próximos anos e nosso trabalho é maximizar a performance de nossos ativos”.  “Nosso objetivo é ser a companhia mais eficiente no setor brasileiro de energia renovável”, revela.

Formado em Engenharia Industrial e de Sistema pela University of Florida, MBA pelo IESE Business School, o executivo é natural de São Paulo.  Antes de assumir o comando da Echoenergia ainda em 2017, ano de fundação da empresa, Corrochano atuou em companhias multinacionais do setor eólico em cargos de diretoria e gerência. Também foi CEO responsável por estruturar no Brasil e na América Latina uma das maiores fabricantes de aerogeradores do país.

Nesta entrevista exclusiva, ele percorre temas como gestão, objetivos e estratégias da empresa. Confira.

Quais são os pontos fortes de sua gestão e principais objetivos da Echoenergia?

Como líder corporativo, minha meta foi estabelecer uma rotina de gestão com comitês, indicadores e um planejamento claro e objetivo que se desdobre para todas as áreas. Desde o início, essa estratégia possibilitou que todas as equipes caminhem no mesmo sentido. E com a equipe alinhada, nosso trabalho se resume em maximizar a performance de nossos ativos.

Quais foram os principais avanços e as maiores transformações no mercado de energia renovável ao longo dos últimos anos?

Além de sua importância para a sustentabilidade, a energia renovável é altamente competitiva. Nos leilões de 2017, tanto a energia eólica quanto a energia solar atingiram os patamares históricos de preços abaixo da média. Em termos de competitividade, a energia eólica fica atrás apenas das grandes hidrelétricas, que têm um impacto socioambiental enorme. Essas transformações foram possíveis por conta de avanços importantes como o da tecnologia das máquinas, fabricação e operação dos parques.

A Echoenergia foi fundada em 2017, ano de instabilidade econômica no Brasil, mas de crescimento significativo no setor de energias renováveis. Como a empresa encarou esse cenário?

Certamente foi um ano desafiador, sendo necessário forte planejamento da companhia para mitigar riscos inerentes a tal cenário. Por outro lado, essa mesma instabilidade nos ajudou a compor rapidamente uma equipe já experiente no setor e obtivemos também boas negociações com fornecedores. Isso tudo ajudou no setup da Echoenergia. Ou seja, já nascemos com o DNA de eficiência e capacidade de entrega. Todavia, independente de um período de instabilidade, o setor elétrico é planejado a longo prazo e sabemos que o Brasil tem grande potencial.

Como você avalia o crescimento e a expansão da Echoenergia?

Como disse, já nascemos num cenário onde a eficiência foi mandatória. E, apesar do nome pouco conhecido ainda, a Echoenergia já figura entre os maiores geradores de energia eólica do Brasil, com mais de 700 megawatts em operação, sem contar os nossos projetos atualmente em construção. Vamos usar nossa competitividade e capacidade de execução para continuar expandindo nosso portfólio. O cenário é favorável a isso, pois nossos parques estão instalados em regiões privilegiadas do país, com fator de capacidade acima da média brasileira.

Quais seus principais desafios?

Tivemos curto período de tempo para colocar a casa em ordem, fizemos aquisições rapidamente e isso foi bastante desafiador. Nosso objetivo agora é a melhora contínua da performance e crescimento rentável, gerando valor para os acionistas.

Quais perspectivas vê para o mercado em 2018?

As taxas de juros decrescentes, assim como estabilidade política, jurídica e inflacionária, favorecem o setor de energia, que precisa de grandes financiamentos e certa previsibilidade para viabilizar seus projetos a longo prazo. Vemos de forma muito positiva a queda de juros do Brasil. Agora, é preciso que essa tendência se mantenha a médio e longo prazo. Vemos de forma muito positiva a execução do leilão A-4 de abril.

Como enxerga o crescimento e consolidação do setor de energia renovável?

Hoje, o setor eólico em particular representa 13 gigawatts (GW) na matriz energética brasileira e, até 2026, serão 28 GW. Um crescimento de cerca de 2 GW ao ano, segundo o plano decenal 2026. O Brasil já ocupa o 8º lugar do mundo em energia eólica e possui parques com altíssimo fator de capacidade quando comparado ao resto do mundo. É um avanço muito importante e cada vez mais as renováveis vão ampliar sua participação na matriz, para a própria segurança do setor. Além disso, o mercado de energia discute uma reestruturação importante no Brasil e a proposta vai em direção a padrões de mercado livre já adotados na Europa. Todos esses fatores, somados a planejamento, novas fontes e abertura do mercado, certamente vão exigir maior eficiência e produtividade de todos os players envolvidos.

O que você diria para as pessoas que acompanham e apostam no crescimento da Echoenergia?

Posso dizer que possuímos um plano de expansão para os próximos anos e, ainda em 2018, divulgaremos algumas novidades. Gostaria de finalizar reforçando a importância de o país planejar seu crescimento energético e dar previsibilidade ao setor de energia eólica. Quanto menores forem as incertezas associadas à realização de leilões, linhas de transmissão, segurança jurídica e legislação, menores serão os riscos. Desta forma, todos ganham, pois consequentemente haverá redução de custos para todos na cadeia – das geradoras aos consumidores finais.